sábado, 3 de julho de 2010

FIXAÇÃO

1132002


a tua ausência
essência fixa e opaca

outros códigos necessitei
para expressar meu espírito
a palavra não comportou
e eu fiquei no cais
dois séculos se consumaram
para nos reencontrarmos
já estávamos mais
serenos e lúcidos

já não empunhava a espada negra
que acreditava onipotência
mas com seus cabelos encrespados
fenecera voltou à fuligem
para milhões de anos
ressurgir como pedra
fixa e eterna no sertão

traseunta em meus sonhos
diurnos arco-íris

eu uso a palavra
para externar todos os sentimentos
que lateja nas minhas entranhas
só não entendo porque
esta perenidade não passa
é essência fixa

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CAJUS

TRABALHO PRODUZIDO EM 2004 NA TÉCNICA ACRÍLICO SOBRE TELA

O ETERNO

1191990                                                                              a francisco ivan e
                                                                                            a haroldo de campos

ele deixou a porta abrida porque gostava da fresca
que corria e lhe refrescava o ventre
cansado de tanto soerguer-se
tonto e cansado ficava
e recebia com a porta abrida a fresca que corria
seu filhinho sonho de tanto sonhar
com a porta abrida recebia com ele a fresca que corria
e corria na rua a ganância de mais querer
e destruir o outro que sonhava seus sonhos
a realizá-los
e corria uma fresca brisa que refrescava a irrealização de sonhos
e acariciava outros há muito sonhados
sua porta a fresca o sonho o filhinho ele
sonho de tantos e tontos sonhos
que a fresca trazia e levava outros que outros iam a sonhar
e corria a ganga
que abrida a porta lhe destruía os sonhos
semelhantes às bridas que castravam os sonhos dos cavalos alados
obrigados a não mais correr e voar
na brisa dos campos que refrescava os sonhos
como o homem do sonho que recebia a fresca que passava em sua porta
lhe acariciava os sonhos e lhe fazia sonhar
o tempo a contento via tudo e todos
de tanto passar o tempo
à brisa de todos os tempos descansou ele

UN OISEAU

25101997

lá fora canta um pássaro
me diz e eu não consigo
ler
ele canta continua a dizer
e eu só sinto
e não entendo
ou entendo tanto que
sinto e finjo
não entender
ele diz e eu sinto

ONE WORLD ONE PEACE

1291996


garoto lembrei de você
a perfeição
estávamos comemorando
a justiça os preconceitos
e lembrei daquela cama
renato russo cantou
e eu me lembrei
da nossa bandeira
da nossa solidão
e vamos enterrar a estupidez
a violência e a desumanidade
celebremos o amor
nesta primavera
é a perfeição

TEMPO

1241997

meia noite e soam as primeiras baladas
de um vento norte que enfada
as asas dos anjos e de uns simoníacos homens
todos de uma plêiade só

meia noite e já se faz tarde
e só os homens vibram
com sibilantes notas vindas como que ressuscitadas
de longínquas eras

meia noite faz um frio norte
e não é tarde é o tempo dentro do tempo
e não se faz tarde
e continuam sibilantes as baladas notas

AO BROTO DE BRANCO

2371991


foi como um bálsamo
mas muito fugaz
como as coisas boas
etéreas mas eternas
foi um momento-segundo
tempo suficiente
pra elucidar meu
espírito que estava ótimo

e como eu não podia fazer outra coisa
porque fiquei demasiado feliz
fui pro cruzeiro
olhar o horizonte
e receber a fresca que lá corre
presente em todo o tempo
aquele minumento ficou eterno em mim
e sonho com outro momento
que me dê um minuto
um monumento outro
que me faça
pensar no éter
para pensar naquele broto

MÃE MINHA PRETA DE LEITE

2161993

ai que saudades da minha serra
da mãe minha preta de leite
que o tempo não mama mais
ai que serra de saudades
do coachar dos sapos
dos raros invernos chuvosos
e dos riachos arenosos que a chuva não molha mais
ai que saudades da minha serra
da parteira que me pegou
dos meninos que brincamos na pedra-grande
e das coisas que me proibiram

CAPINZAL

TRABALHO FEITO EM ACRÍLICO DE 2002

QUOTIDIANO

371998

o minino inventoso macriado
responde incima do lombo
e o mandado de ir buscar
o jumento pra ir ver lenha e água
num é cumprido não

é lida grande
busca água lenha
corta replanta e planta capim pra ração
liga e desliga bomba
pru mode num matar de fome nem sede
os bichin que segura a mesa
o risiido e a esperança
da fartura do inverno por vir

homem no campo

o agrimensor diz ao agricultor
que a vida num muda
ele trabalha na bruta lida
em meio a facão enxada picareta
cavalo chibanca sela
carroça e formão

SERTÃO

271998

no zênite o sol escalda
os mufumbos mudam de cor e
servem de adubo suas folhas

a vaca muge com a
falta d'água e a mulher
diz que tem medo não nehuma

o joão-de-barro num fei
sua porta pru puente
e tudo se tornou rim
mas
"mandacaru quando fulora"
é esperança certa
a babuje brota no sertão
e o home ri

O ATALHO

precipita-se o homem
no caminho
das pedras
os espinhos expiam
todas as demandas mandadas
feitas
por inexcrupulosos seres
de subestratos e esferas aquém

os espinhos expiam

ecoa em eras rupestres os bombos e gongos
e flui boa seiva
as rosas riem escarlate
o homem ridente
caminha no íngreme caminho das pedras
e corre
escorre gargalhadas por entre
as árvores felizes
e carregadas de gás carbônico
e fuligens que o homem
engole em horríveis proporções

para que o atalho?

BUSCA INFINDA

1662001


o tempo veste minha terra de noiva
o meu coração de afeto pulsa vibrações
de  eras e remotos
mancebos errantes
em busca de acertos

eu pueril lambuzo-me na poeira
removida pelas crianças que brincam
na festa da vida
promovida por dois rapazes amantes
extasiados de se encontrarem
vibram olho e alma
eternas gerações se esperavam
para vê-los uno

martinianos vermelhos de paixão e esperança
espíritos em ebulição
e em espirais evoluem
rumo ao zen

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PATU RUPESTRE

ACRÍLICO SOBRE JUTA E TEM COMO TEMÁTICA OS DESENHOS RUPESTRES ENCONTRADOS NOS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS PATUENSES.

CAJUS ESTILIZADOS

PRODUZIDO EM 2001 COM A TÉCNICA ACRÍLICO SOBRE TELA

A MADONA NEGRA


TRABALHO PINTADO COM ACRÍLICO NO ANO DE 2002

PERFIS MASCULINOS

ACRÍLICO SOBRE TELA

DEITADO EM BERÇO ESPLÊNDIDO

Acrílico sobre tela. Trabalho produzido em 2003 e tem como temática a Serra de Patu e a imagem masculina.

MARIA PRETA, MÃE MINHA NEGA DE LEITE

Maria Preta foi uma mulher de luta e cheia de generosidade que viveu e morreu em Patu-RN. Mãe de Leite de muitos me amamentou e em homenagem a ela fiz este trabalho como retribuição histórica ao que eu jamais teria condições de pagar.

ABSTRAÇÃO Nº UM


ESTE TRABALHO FOI FEITO NO ANO DE 2000 E A TÉCNICA UTILIZADA É ACRÍLICA, JUTA E UM LENÇOL VELHO...