quarta-feira, 21 de julho de 2010

O BOTÃO E O VÔMITO

1541993


preso aos meus pensamentos e a um pseudoamor
vou de branco pela rua parda
como uma felina em busca de um coração
pra fazê-lo sangrar
e eu é que sangrei em risos

e só risos o vi passar acompanhado
de uma devoradora de anjos-de-esquinas
e a esquina se tornou seu capital capital
sua cidade  e a porta da alcova que ele nunca tivera
senão por empréstimo ou compaixão

saciado e em lásceras vibrei
por ele afastar-se no asfalto à toda
numa máquina branca que voava
em busca do prazer fugaz que o deixara partido

e eu "vou de branco pela rua cinzeta"
me esvaio em melancolias
mas não adianta segui-lo até a náusea
pois as minhas armas
me garantem a vitória

e ele colorido passava na máquina branca
que voava em busca do prazer fugaz que o deixaria
partido
e a cidade parda compreendia as cores o branco
e as artérias por onde passava
o saciado vômito da flor em botão

31 anos e muitos muitos problemas e sonhos
e os muros não são surdos nem mudos
se escuta por eles e deles se faz escutar

e a lua-quarto-minguante consola a cidade
e não a renova
se faz necessário
"pôr fogo em tudo inclusive em mim"

saio ás onze horas da noite e inseguro tateio
o vácuo que existe entre o broto da
esquina colorido
e o instinto me faz ver
brotar na máquina feia branca que
"furou o asfalto" e era uma foice
que ceifava vidas porque era o tempo da sega

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